A transmissão do conhecimento nas práticas físicas e esportivas
Por Marcelo Soldon
A história dos esportes nos ensina que eles surgem de maneira natural e espontânea, como uma manifestação humana em busca de movimento, de socialização, de entretenimento, de ocupação do tempo livre, de necessidades básicas e até superação de desafios individuais.
A partir de uma prática física e motora mais primitiva, foram sendo criadas instituições para regulamentar essa prática e reger seus praticantes, por meio de um conjunto de regras. Assim nasce o esporte contemporâneo.
Avança-se hoje em dia o esporte como negócio, que movimenta grandes cifras de dinheiro, principalmente nos megaeventos esportivos. Cita-se Copa do Mundo de Futebol e Jogos Olímpicos.
O Brasil foi sede desses dois grandes eventos na última década. Contudo, de acordo com a nossa Carta Magna, cabe ao país “a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional.” (Inciso IV do Art. 217 da Constituição Federal de 1988).
E onde está essa proteção e defesa? Onde está o respeito a Constituição?
São poucas os projetos e programas que trabalham com as manifestações desportivas de criação nacional. E não falo das contemporâneas, como o futevolei ou a “altinha”. Falo daquelas realmente originárias, praticadas pelos primeiros moradores do nosso país.
Em algumas regiões do Brasil ainda se realizam eventos para os povos indígenas, contudo essa prática é cada vez mais rara e escassa.
Cabe a nós mantermos viva essa tradição e cultura local.
Ressalto algumas iniciativas que considero importantes nesse sentido, e que tive o prazer de participar direta ou indiretamente.
O Ceará realiza seus Jogos dos Povos Indígenas a mais de 10 anos. Com uma participação de mais de 20 municípios e quase mil atletas, o evento já teve 10 edições e vem aumentando ano a ano.
O realizador da décima edição dos jogos, o Instituto Veredas da Cidadania, também tem projetos voltados para o público indígena e outras comunidadees tradicionais.
Em parceria com a Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Ceará – FEPOINCE, em 2019 atendeu mais de 120 crianças e adolescentes durante o período de abril a junho, na sua grande maioria de comunidades indígenas, com modalidades esportivas de origem tradicional, como arco e flecha, arremesso de lança (atletismo), canoagem e, como não poderia deixar de faltar, o futebol.
Ações assim deveriam ser reproduzidas em todo o país, para que nosso passado não se apague com o passar dos tempos.
Viva as comunidades tradicionais. Viva as origens do nosso esporte.
Marcelo Soldon; Diretor do Escritório do Esporte


