PF indicia Bolsonaro e Eduardo por coação e faz buscas contra Malafaia

A Polícia Federal indiciou, nesta quarta-feira (20), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sob suspeita de coagir autoridades responsáveis pela ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado no Brasil.

De acordo com o relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores encontraram indícios de que pai e filho atuaram para atrapalhar o andamento do processo em que Jair Bolsonaro já figura como réu. Além disso, a PF atribui aos dois o crime de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, por atacarem diretamente instituições como o STF e o Congresso Nacional.

Provas extraídas do celular de Bolsonaro

As conclusões da PF foram sustentadas por mensagens e áudios recuperados de um celular apreendido com o ex-presidente. Os registros demonstrariam uma produção sistemática de conteúdos voltados às redes sociais, em descumprimento às medidas cautelares já impostas a Bolsonaro.

Segundo o relatório, conversas entre Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia – também alvo das apurações – evidenciam articulações para intimidar autoridades e manipular a opinião pública.

Embora tenha sido alvo de mandado de busca e apreensão, Malafaia não foi indiciado. Seu celular, apreendido pela PF, continha trocas de mensagens com o ex-presidente orientando a divulgação de vídeos e postagens críticas ao Supremo.

Mensagens recuperadas

Malafaia para Bolsonaro: em 25 de julho, pouco após Bolsonaro ativar um novo celular, Malafaia enviou instruções para disparo de vídeos nas redes: “ATENÇÃO! Dispara esse vídeo às 12h.” “Se você se sente participante desse vídeo, compartilhe. Não podemos nos calar!” Eduardo para Jair Bolsonaro: em 7 de julho, o deputado escreveu ao pai sobre a pressão exercida junto ao governo Donald Trump, nos Estados Unidos, revelando que a prioridade não era uma eventual anistia ampla aos condenados pelo 8 de Janeiro, mas sim garantir impunidade ao ex-presidente. Nessa mensagem, Eduardo alertou: “Se a anistia light passar, a última ajuda vinda dos EUA terá sido o post do Trump. Eles não irão mais ajudar. (…) Temos que decidir entre ajudar o Brasil, brecar o STF e resgatar a democracia OU enviar o pessoal que esteve num protesto que evoluiu para uma baderna para casa num semiaberto.” Poucos dias depois, em 10 de julho, Eduardo voltou a aconselhar o pai a publicar um agradecimento público a Trump, que havia anunciado tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo a PF, isso evidenciaria a estratégia do parlamentar em atuar no exterior para interferir nos processos brasileiros.

O relatório da PF resume:

“As mensagens demonstram que as sanções articuladas dolosamente pelos investigados foram direcionadas para coagir autoridades judiciais do STF, com o objetivo de impedir eventual condenação criminal do ex-presidente Jair Bolsonaro e de demais réus.”

Situação jurídica de Bolsonaro

Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, justamente por tentar coagir autoridades e descumprir medidas judiciais.

O ex-presidente já é réu em outro processo, acusado de tentativa de golpe de Estado. O julgamento desse caso está marcado para o dia 2 de setembro, no STF.

Malafaia alvo de mandado

O pastor Silas Malafaia, próximo de Bolsonaro, foi alvo de busca pessoal nesta quarta-feira (20), após retornar ao Brasil vindo de Lisboa. Ele desembarcou no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e foi conduzido à sede da PF para prestar depoimento.

Embora não tenha sido formalmente indiciado, o nome do pastor aparece em diversas mensagens, nas quais sugere conteúdos a serem divulgados pelo ex-presidente.

Plano de asilo na Argentina

Outro ponto revelado pela PF é que Bolsonaro teria elaborado um pedido de asilo político na Argentina. O documento, encontrado em formato de rascunho em seu celular, seria dirigido ao presidente argentino Javier Milei.

No texto, o ex-presidente afirma ser vítima de “perseguição política” no Brasil e pede “asilo em caráter de urgência”. Para os investigadores, o registro comprova que Bolsonaro planejava deixar o país desde, pelo menos, fevereiro de 2024.

Com informações do G1

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