A internet tem esse talento curioso: desenterrar o passado, remixar a memória coletiva e transformar tudo em presente. A mais nova prova disso é a cantora Gretchen. Aos 66 anos, a artista voltou a dominar timelines, reels e TikToks com a coreografia de “Freak Le Boom Boom”, música lançada em 1979 e que, quase meio século depois, voltou ao topo das paradas digitais.
Só em dezembro, Gretchen alcançou 127,3 mil ouvintes mensais no Spotify, impulsionada por vídeos com centenas de milhares de visualizações, nos quais internautas recriam a coreografia ou resgatam apresentações antigas da cantora em programas de auditório. É o passado encontrando o algoritmo, e vencendo.
Gretchen, vale lembrar, fez história nos anos 70, 80 e 90, vendeu mais de 15 milhões de discos e nunca saiu completamente de cena. O que acontece com ela é outra coisa: ciclos sucessivos de redescoberta. Pequenos auges, grandes retornos, sempre embalados por carisma e uma capacidade rara de não desaparecer.
Nas redes, fãs já decretaram o óbvio. “Estamos presenciando o início da nova Gretchenmania”, disse um. “Como pode a Gretchen estar vivendo o décimo auge da carreira?”, questionou outro. A resposta é simples: porque algumas figuras não pertencem a uma época, pertencem ao imaginário.
o tanto que a Gretchen vai se achar com esse hit orgânico kkkkkkkkkk pic.twitter.com/gcCMTOAnFi
— wil (@wilwttns) December 27, 2025
Além de “Freak Le Boom Boom”, outras faixas voltaram a bombar, como “Conga, Conga, Conga”, “Melô de Piripipi” e “Chá Chá Chá Boom Boom”. Hits que atravessaram décadas quase intactos, carregando o mesmo espírito festivo e debochado que sempre definiu sua persona artística.
Como pode ele relembrar todos os trejeitos da Old Gretchen né pic.twitter.com/dz4JZskvJV
— PEDRAO (@Itspedrito) December 27, 2025
E aqui é preciso dizer sem rodeios: Gretchen é uma das maiores divas da história do Brasil, ponto final. Há décadas, ela se reinventa usando praticamente os mesmos sucessos, e, ainda assim, segue irresistível. De tempos em tempos, surge uma novidade: uma música nova, uma colaboração inesperada, um produto inusitado. Mas a essência permanece intacta: alegria, carisma magnetizante e aquele brilho de estrela que não se aprende, nasce.
Ela é plural. Ela atravessou gerações. Ela faz parte do repertório coletivo do país. Gretchen passou pela TV aberta, pelo circo, por banda gospel, cinema adulto, reality show, memes, plataformas digitais. Se existe palco, ela pisa. E pisa do jeito dela: intensa, sedutora, exagerada, apaixonada.
O reconhecimento que ela recebe hoje vem da força, da independência, da autoestima e de uma disposição quase teimosa de viver e sobreviver sem pedir licença. Gretchen mergulhou de cabeça em tudo: nas produções, nas participações, nos amores (que não foram poucos) e, principalmente, em cada reinício que a vida colocou diante dela.
Ela abriu caminhos “nas coxas”, sim, para que outras passassem depois deslizando como estrelas. Banana Split com Eliana, Carla Perez, as dançarinas do É o Tchan, Tiazinha, Feiticeira… e, lá na frente, Anitta. Todas carregam um pouco dessa guerreira que nunca perdeu o brilho.
No fim das contas, talvez seja isso que mais gera fascínio: Gretchen transformou cada queda em espetáculo, cada reação em meme, cada fase em recomeço. E continua ali, dançando, rindo e dominando a internet como se fosse a coisa mais natural do mundo.Porque lenda não se aposenta.
Gretchen forever.


