Diante do aumento no número de deportações e relatos de maus-tratos a brasileiros nos Estados Unidos, o governo federal lançará nesta quarta-feira (6) o programa “Aqui é Brasil”, voltado ao acolhimento emergencial de cidadãos repatriados em situação de vulnerabilidade. A iniciativa, que terá início imediato, surge como resposta a casos de abusos registrados durante o governo do presidente Donald Trump, que voltou ao poder nos EUA.
O programa será formalizado por portaria interministerial e coordenado de forma conjunta pelos ministérios dos Direitos Humanos, Justiça, Saúde, Relações Exteriores e Desenvolvimento Social, com apoio da Polícia Federal. A primeira etapa contará com crédito extraordinário de R$ 15 milhões, e os custos futuros serão absorvidos pelos orçamentos das pastas envolvidas.
As ações incluem acolhimento humanitário nos principais pontos de entrada do país, com equipes de saúde, assistência social e apoio psicológico. Também estão previstos fornecimento de alimentação, itens de higiene, abrigo temporário, transporte até o local de origem, regularização de documentos e encaminhamento para programas de qualificação profissional e reinserção no mercado de trabalho.
O Ministério dos Direitos Humanos destaca que operações conduzidas durante o governo Trump, como batidas em escolas e igrejas, agravaram o clima de medo e insegurança entre imigrantes brasileiros nos Estados Unidos. Um dos episódios mais marcantes ocorreu em janeiro de 2025, quando 88 brasileiros chegaram algemados a Manaus, após uma deportação em massa.
Entre fevereiro e junho, o Brasil recebeu 892 cidadãos repatriados, sendo 109 deles em uma única operação realizada em junho. Para lidar com a nova demanda, aeroportos como os de Fortaleza e Belo Horizonte já contam com estruturas específicas para recepção e apoio logístico.
Com o “Aqui é Brasil”, o governo Lula pretende garantir que nenhum brasileiro seja deixado para trás — mesmo quando for obrigado a retornar ao país em condições desumanas.


