A semana de líderes na ONU tem início nesta terça-feira (23) com um cardápio de temas explosivos: cessar-fogo em Gaza, reconhecimento do Estado da Palestina, fim da guerra na Ucrânia e disputas comerciais e de segurança que reposicionam grandes potências. O encontro ocorre sob o tema “Melhores juntos: 80 anos e mais pela paz, desenvolvimento e direitos humanos”, em um cenário em que o multilateralismo é testado por choques regionais e rivalidades estratégicas.
Tribuna: Brasil primeiro, EUA em seguida
Como manda a tradição inaugurada nos primeiros anos da ONU, o Brasil abre o Debate Geral às 10h, seguido pelos Estados Unidos. A lista de oradores respeita hierarquia de cargos e, em geral, a ordem de chegada das solicitações. O tempo sugerido é de 15 minutos por liderança, ainda que discursos mais longos sejam um clássico das aberturas.
O que Lula deve dizer
O presidente Lula deve combinar mensagens internas e externas. No plano econômico, a fala mira tarifas americanas e reafirma a autonomia brasileira nas decisões domésticas. No eixo ambiental, o Brasil cobrará recursos para a conservação da Amazônia, defenderá a transição energética e destacará sua posição como anfitrião da COP30. Em política externa, a projeção é de defesa do Estado palestino convivendo com Israel e de impulso a canais de negociação entre Kiev e Moscou. O discurso deve incluir pedidos de reforma da governança global, com ênfase no próprio sistema ONU.
Gaza volta ao centro do palco
A crise em Gaza tende a dominar a tribuna. Netanyahu falará na próxima sexta; Israel rejeita a atuação do Tribunal Penal Internacional, que o investiga por crimes de guerra. Abbas, impedido de obter visto americano, recorrerá a uma apresentação por vídeo. Paralelamente, novas adesões ao reconhecimento da Palestina ampliam a pressão pela solução de dois Estados, objetivo que França e Arábia Saudita tentarão catalisar em reuniões laterais.
Ucrânia continua sem desfecho
Na quarta (24), Zelensky buscará manter a coesão de aliados e sensibilizar países indecisos. No sábado, Lavrov dará a visão de Moscou. O Conselho de Segurança terá encontro de alto nível, e observadores esperam sinais dos EUA sobre eventuais sanções adicionais ou esforços mediadores de Washington.
Outras frentes de atrito
As tensões entre Estados Unidos e Venezuela devem vir à tona, após relatos de operações navais americanas no sul do Caribe e ações contra embarcações ligadas ao narcotráfico. O chanceler Yvan Gil promete resposta dura. Temas como comércio internacional, cadeias de suprimento e regras digitais também devem aparecer em discursos de países europeus e asiáticos.
Como funciona a Assembleia
Criada em 1945 com 51 membros, a ONU reúne hoje 193 Estados-membros. No Debate Geral, cada país apresenta sua visão sem debate direto em plenário. Além dos membros plenos, Santa Sé, Estado da Palestina e União Europeia, como observadores, têm espaço de fala.
Respostas a críticas
Se um país for alvo de acusações, pode solicitar direito de resposta por carta, com até duas intervenções ao fim da sessão. A saída do plenário como forma de protesto — expediente usado por Israel e Irã, entre outros — é prática recorrente.



