“Fortaleza Necrópole”: o projeto que transforma cemitérios em salas de aula vivas

Fortaleza tem um projeto inusitado que vem atraindo curiosos e apaixonados por história: o Fortaleza Necrópole, criado pelo professor e historiador Thiago Roque.
A proposta é oferecer aulas em cemitérios, onde os visitantes aprendem sobre o passado da cidade a partir das memórias de quem já partiu.

A experiência mistura história, filosofia e educação patrimonial, permitindo que os participantes reflitam sobre temas como finitude, desigualdade e identidade cultural.

“O cemitério é um espelho da sociedade. Ele revela relações de poder, distinções sociais e legados que ainda moldam nossa cidade”, explica Thiago.

O educador destaca que as aulas fogem dos formatos tradicionais: em vez de exposição dialogada, há imersão total nos espaços visitados.

“Muita gente sente medo, mas quando vivencia a experiência, entende o cemitério como um espaço de memória e pertencimento”, afirma.

O projeto conta com rotas diurnas e noturnas. A visita durante o dia percorre locais históricos do Centro, como o Centro de Turismo do Ceará, a Estação das Artes (antigo cemitério de São Casimiro) e a rua Castro e Silva, conhecida como “rota das almas”.
Já a versão noturna, chamada “Assombros e Memórias”, acontece no Cemitério São João Batista e explora o imaginário popular, as lendas e os mitos que envolvem Fortaleza.

Segundo Thiago, o objetivo é reconectar os cidadãos à própria história por meio da contemplação da morte — e da vida.

“A memória é a base da identidade. O que fazemos é resgatar o passado e refletir sobre ele, sem medo”, pontua.

Os encontros, realizados em parceria com o também professor e historiador Sandoval Matoso, têm atraído público diverso — de estudantes a pesquisadores e curiosos.
Até mesmo funcionários dos cemitérios participam, compartilhando histórias e bastidores de um espaço que, muitas vezes, é invisível para a cidade viva.

Mais do que um passeio histórico, o Fortaleza Necrópole se propõe a ser um exercício de empatia e pertencimento — uma forma de recontar a história da capital cearense por aqueles que ainda falam, mesmo em silêncio.

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