Escavações arqueológicas realizadas no Maciço de Baturité, no Ceará, identificaram cerca de dez urnas funerárias indígenas, algumas delas contendo fragmentos de ossos e dentes humanos. As pesquisas ocorrem nas proximidades da comunidade quilombola da Serra do Evaristo e devem seguir até agosto deste ano.
Duas das urnas estavam praticamente intactas e apresentavam material biológico visível. As demais foram encontradas fragmentadas, o que também é comum em contextos arqueológicos. O local é considerado um dos sítios funerários mais significativos já registrados na região.
Investigação em andamento
As escavações são conduzidas por arqueólogos que buscam entender se o local era exclusivamente um cemitério indígena ou se também foi utilizado como espaço de habitação. A equipe realiza escavações em camadas controladas, coleta de materiais cerâmicos, mapeamentos topográficos e sondagens em estruturas que podem estar associadas a antigas moradias.
Os fragmentos de ossos e dentes recuperados serão enviados para análise laboratorial. A expectativa é de que os exames determinem se os restos são humanos ou animais, além de fornecer informações sobre idade, sexo e possível cronologia dos sepultamentos. Há indícios de que o local tenha sido utilizado há mais de 2.500 anos.
Importância cultural e histórica
O sítio arqueológico da Serra do Evaristo já havia revelado, em escavações anteriores, urnas cerâmicas, machados de pedra e vestígios de produção de fiação de algodão, reforçando a presença de grupos indígenas ceramistas na região. A nova etapa da pesquisa amplia o conhecimento sobre os modos de vida e práticas funerárias desses povos.
Além do aspecto científico, o projeto conta com o envolvimento direto da comunidade quilombola local. Jovens da região foram capacitados e contratados para atuar nas escavações, fortalecendo o vínculo entre a preservação do patrimônio cultural e a valorização das comunidades tradicionais.
Próximos passos
Com a conclusão das escavações, a equipe pretende avançar nas análises laboratoriais, realizar datações radiocarbônicas dos ossos e ampliar o mapeamento da área. O objetivo é identificar outros pontos de interesse arqueológico no território e contribuir para a proteção e valorização da história indígena e quilombola no Ceará.


