Em semana decisiva, ministro Mauro Vieira chega aos EUA para negociar tarifas impostas por Trump

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou neste domingo (28) nos Estados Unidos, em uma tentativa de frear o avanço do pacote tarifário anunciado pelo governo Trump contra produtos brasileiros. A visita marca o início de uma semana crucial para o Itamaraty, que busca diálogo direto com autoridades norte-americanas e representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A chegada de Vieira é considerada um gesto diplomático de boa vontade por parte do Brasil, que tenta evitar o agravamento da crise comercial. A agenda nos EUA inclui encontros com o secretário de Estado, Antony Blinken, representantes da Casa Branca e senadores norte-americanos.

O pacote de tarifas proposto por Donald Trump deve ser votado ainda nesta semana no Congresso dos EUA. Ele prevê sobretaxas de até 35% sobre produtos brasileiros como aço, alumínio, carne bovina e suco de laranja — atingindo setores estratégicos da economia nacional. A proposta já conta com apoio de parte significativa do Partido Republicano, mas enfrenta resistência entre parlamentares democratas e até mesmo de empresários americanos que temem a retaliação do Brasil.

Nos bastidores, o governo brasileiro avalia que o plano tarifário tem motivações políticas. A diplomacia brasileira tem defendido que as medidas são “injustificadas” e ferem regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que não aceitará “ataques à soberania brasileira” e alertou para as consequências diplomáticas e comerciais de um tarifário dessa magnitude. O presidente classificou a proposta como “hostil” e afirmou que, se aprovada, o Brasil responderá com firmeza.

Além de Mauro Vieira, uma comitiva formada por parlamentares e empresários brasileiros também está nos EUA para reforçar o diálogo. O grupo tem reuniões agendadas com setores da indústria norte-americana e com integrantes do Congresso.

O governo Biden, embora evite confrontos diretos com Trump durante o período eleitoral, tem sinalizado que não vê com bons olhos o pacote de tarifas, temendo impactos negativos nas exportações americanas para o Brasil.

A expectativa do Itamaraty é de que o corpo diplomático consiga conter o avanço do projeto ou, ao menos, minimizar seus efeitos, mantendo aberto o canal de negociações bilaterais.

Foto: Agência Brasil

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