A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura desvios bilionários no INSS inicia seus trabalhos nesta terça-feira (26) com uma pauta já abarrotada: são 910 requerimentos apresentados por deputados e senadores que integram o colegiado.
Grande parte dos pedidos está relacionada à convocação de pessoas que teriam ligação com o esquema revelado em abril pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que apontaram fraudes de até R$ 6,3 bilhões em benefícios previdenciários.
Entre os pedidos mais polêmicos está a solicitação de convocação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apresentada pelos deputados Rogério Correia (PT-MG) e Alencar Santana (PT-SP). Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou requerimentos para convidar os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e o atual chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva.
Outros nomes também concentram pedidos. Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”, já acumula 15 requerimentos, incluindo convocações e quebras de sigilo bancário. O ex-ministro do Trabalho e ex-presidente do INSS durante o governo Bolsonaro, Ahmed Mohamad Oliveira Andrade (conhecido como José Carlos Oliveira), aparece com 13 solicitações. O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto soma 12, enquanto o ex-ministro Carlos Lupi (PDT) é alvo de 11.
O atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz, também está na lista, com oito pedidos, entre convites e convocações.
📊 Números da CPMI
- 420 convocações e 59 convites já protocolados;
- 178 pedidos de quebras de sigilo, em sua maioria bancário;
- 172 solicitações de relatórios de inteligência financeira (RIFs) ao Coaf;
- 75% dos pedidos partiram da oposição.
Além disso, a comissão precisa definir quem ocupará a vice-presidência. O nome mais cotado é o do deputado Marcel van Hatten (Novo-RS), o que formaria uma mesa diretora inteiramente oposicionista. A base do governo defende a indicação de Duarte Jr. (PSB-MA), visto como perfil mais moderado.
As investigações miram associações suspeitas de aplicar descontos indevidos em aposentadorias e pensões. O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), já adiantou que o escopo pode se expandir para incluir fraudes em empréstimos consignados.
Informações: g1
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado



