Após um tema de redação sobre os desafios para a valorização da cultura africana no Exame Nacional de Ensino Médio deste domingo, hoje, 4 de novembro, celebramos o Dia da Favela. Uma bela coincidência que se torna força na luta pela representatividade. As favelas surgiram no Brasil devido a dois fenômenos históricos: A Abolição da Escravidão e a chegada da Belle Époque no Rio de Janeiro em 1889. Com muitos negros recém-libertos e em busca de emprego, os governantes da cidade que abriga a estátua do Cristo Redentor tinham um projeto: embranquecer e “embelezar” a cidade com padrões europeus.
Diante dessa forte supressão cultural, pessoas de descendência africana foram sendo realocadas e empurradas para locais insalubres, principalmente morros. Assim, no final do século XIX, surgiu a primeira favela, que existe até hoje, no Morro da Providência.
Mesmo com a tentativa de apagamento, a população que habita os morros encontrou, nesses espaços, um lugar para expressar sua identidade. Hoje, essa expressão tem número: cerca de 17 milhões de pessoas residem em favelas, conforme aponta o IBGE de 2022. O processo de favelização, termo que descreve a expansão dessas comunidades, se espalhou por todo o território nacional. Em cada canto do Brasil, a força dos povos africanos passada entre gerações, uma marca de resistência em meio à adversidade.
As tentativas de silenciar esse povo foram e são imensas. O preconceito foi o principal motor, mas a resistência foi ainda maior. Essas comunidades conquistaram voz, força e expansão, fazendo de suas lutas uma parte essencial do tecido social brasileiro.
Ontem, em 3 de novembro, o governo deu um passo significativo ao fazer com que as pessoas debatessem a representatividade de um povo que tanto contribuiu para o desenvolvimento do país. A resistência ganhou voz, e seu eco ainda ressoa hoje, no Dia da Favela. Afinal, as favelas são o produto direto das culturas que foram reprimidas e que, ao longo do tempo, transformaram suas lutas em um símbolo de resiliência e força.
Texto: Ruan Rodrigues ( com supervisão de Rita Freire)


